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quarta-feira, 10 de setembro de 2014
O Estado Brasileiro é estruturalmente católico
Apesar de oficialmente "laico" – fato que se deu com a Constituição de 1891 -, o Estado Brasileiro ainda é estruturalmente católico. Por três séculos "religião oficial", o Catolicismo perdeu parte de sua influência com a Proclamação da República, em 1889; no entanto, passados quase 125 anos, mantem sua presença na estrutura do Estado, em algumas repartições públicas, como cemitérios, hospitais, cartórios, câmaras, assembleias legislativas, fóruns. Mesmo símbolo universal do cristianismo, a cruz ainda é um elemento associado à Igreja Católica. Em cemitérios, padres realizam missas, atendem familiares durante velórios, acompanham autoridades. Capelas no alto de cemitérios também marcam a presença da Igreja, de sua influência na estrutura local. Hospitais públicos reservam espaços exclusivos para fieis católicos, com imagens de santos e altar para orações.
Na verdade, a influência do Catolicismo sobre o Estado nunca deixou de existir, não obstante a separação entre a Igreja e o Poder Público, em 1891. Durante o começo do século XX articuladores católicos conduziram uma reaproximação com o Governo. Em 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas à Presidência, uma nova relação foi estabelecida. Quatro anos depois, a terceira Constituição deu ao Catolicismo maior liberdade de circulação pelas repartições públicas, pelo sistema de ensino. Segundo o CPDOC (FGV), durante o período que vai de novembro de 1930 a julho de 1934, o "país viveu sob a égide da Assembleia Nacional Constituinte que foi encarregada de elaborar a nova Constituição brasileira que iria substituir a de 1891 [...] Para a Igreja Católica, o momento era de afirmação e de maior intervenção na vida política do país", aponta o estudo.
Vieira de Souza, em Círculos Operários e a invenção da Igreja Católica no mundo do trabalho no Brasil: uma discussão historiográfica (UFRJ, 29/4/2007), destaca que "com Getúlio Vargas, a Igreja retomou alguns dos mais importantes espaços perdidos com o advento da República. (…) Neste período, a Igreja, através de suas lideranças, adotou posições que reforçaram a intervenção estatal através de um governo forte apoiado na ação e na formação de um consenso. Até 1943, a relação entre os dois poderes aqui comentados inseriu-se nesta perspectiva. O clero se posicionou como coadjuvante de uma política que buscava a harmonia social; sua ação entre os assalariados urbanos era centrada na questão da regulamentação das relações trabalhistas (…) em uma organização corporativa e das instâncias hierárquicas necessárias a intervenções culturais".
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Terminada a Era Vargas, a Igreja manteve sua influência sobre o Estado, e o teste final se deu em 1964. O crescimento do movimento evangélico brasileiro, o baixo número de seminaristas, associado às mudanças estruturais decorrentes da gestão de JK, levou, nos anos anteriores ao Golpe, o País a uma nova realidade social, dimensional. A credibilidade da Igreja, e mesmo a sua existência estavam em jogo, naquele período. Era preciso encontrar um caminho, uma forma de prevenção contra "ameaças externas", e as igrejas evangélicas já eram vistas pela recém-formada Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB, 14/10/1952), como uma das "ameaças" à sua hegemonia. Neste sentido, a Igreja apoiou a derrubada do presidente constitucional, João Goulart, ao colocar a "máquina em funcionamento". O pequeno clero se mostrou resistente, mas não conseguiu superar as autoridades mais influentes, que conduziam os rumos da Igreja.
Algo recorrente na História é o uso de "ameaças", de "bodes", de "comedores de criança" com o intuito de se justificar a manutenção de privilégios, do poder econômico. Foi assim durante a Idade Média, quando a Igreja acusou e perseguiu diversos grupos opositores, acusando-os de "adoradores de Baal", de "pactuarem com o inimigo". No achamento de Pindorama (Brasil, a partir de 1503), a ideia de "cristianizar" os aborígenes pagãos, de transmitir aspectos "civilizatórios", norteou os primeiros 322 anos da colonização das terras outrora pertencente aos caiapós, xavantes, tupi-guaranis, yanomames etc. O paganismo dos nativos teria de ser substituído pelo cristianismo dos escravocratas brancos, europeus, e coube à Companhia de Jesus cristianizar os nativos. Na segunda metade do século XX, foi desenvolvida uma campanha contra evangélicos e movimentos de defesa dos pobres, do homem do campo, dos explorados pelo sistema capitalista.
No auge da ditadura militar, investimentos nas Organizações Globo tiveram um duplo propósito: promover interesses nacionais, oligárquicos, e a "defesa (nas palavras de Roberto Marinho) do cristianismo". Redemocratizado, o Brasil passou a ser palco do surgimento e crescimento de inúmeras igrejas evangélicas, das mais variadas denominações, das "três fases do pentecostalismo" (Paul Freston), em uma ameaça à hegemonia da Igreja Católica. Caricaturas em novelas, séries, denúncias em reportagens, traçaram um perfil distorcido do movimento evangélico brasileiro, de um grupo constituído por fanáticos, estelionatários, oportunistas. Somente após a morte do jornalista Roberto Marinho (2003) e a divulgação do Novo Mapa Religioso (que aponta o número de 42,5 milhões de evangélicos) teve início uma abertura à igreja evangélica. Houve um rompimento do monopólio católico nas mídias, nos meios de comunicação. Um crescimento inevitável!
O Acordo Brasil-Vaticano (2009) assegurou ao Catolicismo uma posição privilegiada na estrutura do Estado brasileiro, apesar da crescente influência evangélica. A CNBB não apenas é vista como um órgão representativo da Igreja, mas como uma espécie de "braço consultivo do Governo", que fala em pé de igualdade com os Três Poderes, que impõe posicionamentos, que interfere em discussões no Legislativo. Houve uma redução da influência, evidentemente, mas estruturalmente a Igreja ainda se mantém no Estado, em suas várias repartições públicas, federativas. Em contrapartida, um número restrito de religiosos, de caráter extremista, passou a adotar medidas ou estratégias outrora utilizadas pelo Catolicismo, com rotulações, influência intelectual, desenvolvimento de "nichos de influência", de "manobra" com o intuíto de se mesclar ao Estado, à estrutura do Parlamento, em um caminho desvirtuado. Os 514 anos de influência da Igreja Católica sobre o Governo deve servir de exemplo quanto ao perigo de uma religião se apropriar do Poder, do Estado, do meio social.
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Johnny Bernardo
Johnny Bernardo -
Que sociedade estamos construindo
Apesar de inegáveis avanços científicos, tecnológicos, culturais, a sociedade contemporânea ainda possuí resquícios primitivos e bárbaros. Vivemos a era dos extremos (posterior a do historiador Hobsbawm), dos posicionamentos políticos, ideológicos, científicos, que tem resultados ambíguos, diferenciados, contraditórios. Em análise sobre a "Laicidade do Estado" (cuja frase principal teve menção no Gnotícias) demonstramos que o mundo "caminha para teocracias, estados confessionais e um crescente fanatismo religioso". O prognóstico, que tem como base observações em países islâmicos, onde Religião e Estado se confundem, se mesclam no debate público, se estende a todas as regiões do mundo, e particularmente à porção norte do hemisfério.
Não obstante alguns aspectos negativos da prática religiosa – particularmente quando analisamos grupos localizados, extremistas, que orbitam em torno de premissas políticas, ideológicas, que se sobrepõem ao secular, aos direitos constitucionais – a religião é um fator cultural, parte das sociedades primitivas, que inegavelmente tem contribuído com a construção de uma sociedade melhor, humanizadora, participativa. Seria impossível ao homem viver alheio a uma divindade, a uma crença, a uma tradição religiosa dada a sua necessidade de respostas, de apoio espiritual, de pertencimento. É uma questão indiscutível do ponto de vista sociológico, antropológico, histórico. Somos seres religiosos, que compartilhamos experiências e crenças pautadas em nossa doutrina.
Por outro lado, há uma inegável crise de identidade em alguns países de maioria cristã, dada a influência (diria militante) de grupos que recorrem a termos chulos, a rotulações de personagens históricos, a lideranças acadêmicas, a postulações intelectuais. É comum o uso de princípios de Maquiavel – particularmente da conclusão de que os "fins justificam os meios" – na guerra contra os opositores, contra os inimigos. Justificam-se ditaduras como "necessárias ao nivelamento social", a torturadores como exemplos de "ética política, ideológica", a justiceiros que clamam por "linchamento dos malandros, dos marginaizinhos", aos defensores do "rebaixamento do papel feminino no meio social", ao ex-espião repaginado, contextual, que possui interesses conflitantes.
Que exemplo grupos extremistas dão à sociedade, aos 95% de cristãos cuja fé é pautada pela compreensão, pelo compartilhar? Um posicionamento correto deveria ser o da balança, a do aproveitamento do que temos de positivo na sociedade. Em entrevista ao jornal Nosso Tempo, do Rio de Janeiro, sobre a polêmica em torno do suicídio, foi perguntado sobre as razões que levam grupos religiosos a suicídios coletivos. Nossa resposta foi (confira integra a seguir) no sentido de que o suicídio coletivo é parte da chamada "programação" que movimentos destrutivos promovem sobre adeptos. Neste sentido, o "direcionamento" é um dos principais motivos da histeria sectária, destrutiva, que corrompe as estruturas da humanidade, do núcleo familiar, da sociedade.
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Um dos grandes problemas de alguns países islâmicos – a exemplo da Arábia Saudita e do Irã – é a tentativa de "imposição" do credo religioso a totalidade da população, do mesclar Estado e Religião, em um sistema teocrático que remete aos tempos antigos. É daí que surgem os extremismos, quando não se consegue distinguir o Estado da Religião, o Sagrado do Secular, o Meu do Outro. Dado os exemplos – e a crucificação de cristãos na Síria é um exemplo recente de extremismo – oriundos do universo islâmico, há de se pensar o Ocidente, da maneira como a sociedade ocidental deve se posicionar em questões não somente religiosas, mas também políticas. Na Europa, mas também nos EUA, o crescimento de grupos extremistas, xenofóbicos, tem como base ideologias de superioridade "racial" e "religiosa". Um grande perigo em ascensão.
Pensando no Brasil, em nosso contexto cultural, social, político, religioso, há exemplos recentes de extremismo, de imposição ideológica e religiosa, que nos faz refletir sobre os erros dos estados islâmicos teocráticos. Que imagem está sendo construída? De que maneira estamos dialogando com a sociedade? Como encaramos problemáticas sociais como o aborto e o homossexualismo? De forma impositiva ou a partir de diálogos de alto nível? Particularmente somos contra o aborto, o homossexualismo e as políticas estatais de promoção de grupos específicos da sociedade, mas de que maneira refletimos sobre os temas levantados? Que linguagem está sendo usada no embate social? Temos uma nítida distinção entre Estado e Religião? É hora de parar e analisar!
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Confira nossa recente entrevista ao Nosso Tempo.
A problemática do suicídio
Nosso Tempo. Em 20 anos, o número de mortes por suicídio no Brasil cresceu 1.900% na faixa etária de 15 a 24 anos. Podemos dizer que houve mudanças na forma como encaramos a morte hoje? Os altos índices de suicídio revelam uma realidade de banalização da vida?
Johnny Bernardo. Estamos diante de uma tragédia, de uma problemática social, de abrangência mundial, e não apenas nacional. A globalização, a universalização das mídias, tem parte de culpa no sentido em que coopera com a destruição de conceitos, de culturas e de tradições de um povo ou de uma comunidade local. Ao mesmo tempo, traduz para as nações subdesenvolvidas particularidades degenerativas de alguns países desenvolvidos, com graves problemas sociais, como os Estados Unidos. Portanto, é preciso compreender o fenômeno social chamado "suicídio" a partir de particularidades universais, mundiais, pois influenciam na forma como os adolescentes pensam, entendem a sociedade, se relacionam em grupos. É um fenômeno mundial!
Há uma fragilidade psicológica na adolescência que é agravada na medida em que fatores externos influenciam no modo de agir, de tomar decisões diante de "vergonhas", de "exposições" em redes sociais. Em resumo, pode se dizer que a grande exposição em mídias sociais impulsiona as taxas de suicídio no Brasil. Há uma banalização, diria, dos direitos, do particular, do privado, via bullying e cyberbullying, como foi o caso da adolescente Amanda Todd. Também podemos apontar a ausência de distinção entre o real e o virtual como um agravante em alguns casos de suicídio. Neste sentido, o distanciamento da família, da conversa no parque, no relacionar-se com grupos sociais (como em igrejas), cria uma distorção que acaba por incorrer em tragédias, como as veiculadas pela mídia.
Não falar sobre o assunto ainda é a melhor saída, conforme preconiza a OMS, que pede restrições à imprensa ao divulgar dados e métodos empregados para suicídio?
Acredito no poder das campanhas, das conscientizações públicas. Quanto aos meios de comunicação há, de fato, um sensacionalismo, um explorar exacerbado de ocorrências como casos de suicídio ou mesmo terrorismo, que tem um efeito negativo na sociedade. Programas policiais, por exemplo, extrapolam ao focar demasiadamente em tragédias públicas. Podemos concluir que há uma necessidade de regulamentação do que é exposto nas mídias, na forma como estas se dirigem aos cidadãos, para que não se universalize fatos isolados. A mídia deve ter um papel social, que é o de instruir, de orientar, e não de explorar fragilidades sociais com objetivos financeiros.
Há algumas seitas que induzem seguidores à prática do suicídio coletivo. O que elas preconizam como um ato que vai de encontro ao que prega a maior parte das religiões?
O suicídio coletivo – a exemplo do que ocorreu na comunidade agrícola de Jonestown, na Guiana, quando 913 seguidores do Templo dos Povos tomaram cianureto – é parte da chamada "programação" que seitas destrutivas promovem sobre adeptos. São características comuns: recrutamento, isolamento social e psicológico, doutrinação, mortificação, destruição da personalidade, dependência ou subordinação ao líder ou "messias" e, em casos extremos, suicídio. Na verdade, o suicídio é usado mais como um último recurso quando uma seita destrutiva se vê ameaçada pelo Poder Público. Para não colocar os recursos adquiridos junto aos adeptos em risco, se desenvolve uma saída espiritual, que é o suicídio como uma forma de "escape do inimigo que os persegue", ou como um meio de se "aproximar de Deus", do "Paraíso, onde o fiel não mais sofrerá perseguições". Também faz parte da programação encenações de suicídios e justificativas para um eventual "imolamento coletivo". São características de seitas ou movimentos destrutivos, que não encontra respaldo em outras religiões ou grupos dissidentes mais tradicionais. Para o cristianismo, o suicídio é um pecado tal qual o homicídio, condenado pelas Escrituras Sagradas.
Um repúdio ao extremismo religioso
Acompanhamos com apreensão o desenrolar do sequestro de mais de 270 meninas de Chibok, no norte da Nigéria. Reivindicado pelo grupo islâmico Boko Haram, o sequestro comove pelo o fato de que a justificativa usada pelo movimento traz à tona questões humanitárias, dos direitos humanos, pois, ao ser contra a presença de mulheres em escolas – e o termo Boko Haram significa "a educação ocidental é um pecado" – dá uma clara demonstração dos males da intervenção religiosa na sociedade. Há alguns dias publicamos uma matéria na qual abordamos os perigos do extremismo religioso, da demasiada influência religiosa nas repartições públicas, na sociedade contemporânea.
A análise – intitulada "Que sociedade estamos construindo" – parte do princípio de que "a religião é um fator cultural, parte das sociedades primitivas, que inegavelmente tem contribuído com a construção de uma sociedade melhor, humanizadora, participativa". Ao mesmo tempo, pontuamos "que seria impossível ao homem viver alheio a uma divindade, a uma crença, a uma tradição religiosa dada a sua necessidade de respostas, de apoio espiritual, de pertencimento". Apesar de reconhecer a importância da religião enquanto fenômeno social, demonstramos que a existência de grupos extremistas no seio de instituições religiosas é um perigo pelo o fato de que os focos existentes podem evoluir para extremismos com potencial capacidade destrutiva.
No universo islâmico há, evidentemente, uma grande maioria de fieis que postulam por uma prática religiosa ecumênica, moderada, contextualizada no século XXI, nos avanços alcançados pelo Ocidente. No entanto, grupos fundamentalistas, militantes, caminham no sentido inverso ao recrutar soldados para suas fileiras, para seus campos de treinamento onde recrutas são treinados em táticas de guerrilha, induzidos a darem suas vidas em troca de um "paraíso de deleites sexuais". Nesta guerra ("santa") até mesmo crianças são recrutadas e submetidas a duros exercícios militares. Tal situação requer maior atenção de organizações reguladoras internacionais.
Há que se destacar que o extremismo religioso não é um fenômeno isolado, de uma única instituição religiosa, mas possui resquícios em praticamente todas as religiões e crenças existentes no mundo. Quando grupos religiosos não mais conseguem distinguir a Religião do Estado, o Sagrado do Secular cria-se uma situação de conflito, em que a entidade se vê no direito de intervir em órgãos públicos, criar mecanismos que permitam a ela impor posicionamentos. Também há de se reconhecer que grupos isolados no cristianismo também possuem visões distorcidas da militância religiosa. Neste sentido, inimigos tornam-se amigos quando estes possuem alvos em comum. Torturadores, incitadores ao ódio e ao linchamento público, são tomados como "exemplos de ética". O extremismo é um mal que precisa ser rejeitado pela sociedade, estabelecendo no lugar uma sociedade acolhedora, de cidadãos que praticam suas crenças religiosas em consonância com os mais fracos, com os desprotegidos, com os divergentes. A sociedade precisa evoluir em cultura
O dia em que Paulo acabou com todos os filósofos
Ao dizer que "temos a mente de Cristo", Paulo sentenciou que nenhum pensador não cristão pode produzir qualquer raciocínio que invalide ou suplante a hegemonia da teologia cristã.
Em participação especial num curso de mestrado acadêmico em Filosofia, este articulista descobre, pasmo, uma verdade estonteante: aquilo que a Humanidade culta chamou de Filosofia pode se constituir num erro planetário colossal, absolutamente desastroso para o plano de resgate das almas humanas, operado por Deus. A forma como este erro se dá, seja no plano teórico ou prático, é aquilo que tentaremos explicar aqui.
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Parece haver com certeza duas grandes áreas no pensamento dos animais racionais deste planeta: aquela que pensa tudo a partir da premissa de que nunca houve um Criador para tudo aquilo que nossos olhos vêem; e a contrária, que pensa haver um Criador para tudo. É como a grande divisão da Humanidade feita por Lewis, onde 95% crê em alguma espécie de "deus", e a outra parte não crê (a mesma estimativa é passada no filme "Contato", baseado no livro homônimo de Carl Sagan). Esta divisão transparece cruamente em grande parte dos livros de filosofia, e alguns até fazem a citação por inteiro, como vemos em Engels, no livro "Ludwig Feuerbach e o fim da Filosofia Clássica alemã", (Cap. II): "A questão da relação do pensamento ao ser, do espírito à natureza, questão suprema de toda filosofia, tem, como toda religião, suas raízes nas concepções limitadas e ignorantes do período da selvageria humana. Segundo a resposta que dessem a esta questão, os filósofos dividiam-se em dois grandes grupos. Os que afirmavam o caráter primordial do espírito em relação à natureza e admitiam, portanto, em última instância, uma criação do mundo de uma ou de outra forma (e para muitos filósofos, como para Hegel, por exemplo, a gênese é bastante mais complicada e inverossímil que na religião cristã), firmavam o campo do idealismo. Os outros, que viam a natureza como o elemento primordial, pertencem às diferentes escolas do materialismo".
Isto posto, não há como fugir da confissão de que este comentarista e sua Escola adotam a idéia da maioria, e cremos que existiu e existe um Criador inteligente, por trás de tudo o que chega ao conhecimento humano.
O problema é que a adoção da corrente teísta, justamente por envolver o elemento "criação inteligente", abre as porteiras para todo pensamento, trazendo para discussão mistérios sem fim, raciocínios complexos e criaturas incontáveis. Dentre estas, inclusive introduz uma outra mente no universo; e não apenas isso, mas introduz uma mente superior e até certo ponto doentia em sua opção pela maldade, capaz não apenas de espalhar falsos raciocínios, mas até de "habitar" as mentes humanas desprotegidas pela ausência de entrega à mente divina. Isto levanta um problema terrível, para não dizer insolúvel: se um homem não está protegido por sua não-adesão à inteligência de Deus, nenhum de seus raciocínios são confiáveis, pois podem ter origem na mente doentia que governa esta parte do cosmos chamada Terra. Não é à-toa que a Bíblia Sagrada registra passagens onde se mostra Paulo detonando a inteligência do Homem (I Co, 1,18-31 e 2,1-16) e o próprio Jesus dizendo não confiar na natureza humana do homem comum (Jo 2,24-25). Isto pode ser explicitado assim: "Ter a mente de Cristo é desprezar todas as outras mentes, pois só a de Cristo é capaz de julgar todas as coisas e por nenhuma é julgada (I Co 2,14-16).
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Assim, a Teologia cristã pressupõe o momento em que o próprio Deus, criador de todas as mentes, desceu ao mundo e ensinou o modo correto de pensar. Tudo o mais era falso e perigoso, e os homens que pregaram antes de Cristo foram chamados por Ele de "ladrões de almas" (João 10,8): isto inclui Sócrates e todos os filósofos que nasceram antes do "ano zero" da história ocidental.
Detonando Sócrates, seus antecessores e seus seguidores, não há como pensar que qualquer filosofia ou esquema de pensamento tenha qualquer utilidade para o mundo, pelo menos em relação às explicações que dão ao próprio mundo, sua criação, o universo, o ser, as coisas e a mente humana. Tudo isso foi abolido na teologia paulina e bíblica, como advogam teólogos católicos e reformados. Tanto é assim que, muitos filósofos, já conscientes dessa detonação e irritados com a hegemonia intelectual do Deus-que-se-fez-Homem, saíram a escrever que "nenhum raciocínio baseado na auctoritas (autoridade), ou apenas na suposta superioridade mental de uns, terá serventia para iluminar o pensamento de quem quer que seja". Vê o leitor como o conflito vai longe, e mais, que se transforma numa cruenta guerra, sem qualquer sinal de rendição de um dos dois lados.
Porém, e com efeito, o que acontece mesmo é que aquilo que chamam de Filosofia cometeu o pecado de desprezar um dos pilares mais nobres do pensamento humano, sem o qual grande parte do universo passa despercebida, tornando a capacidade cognitiva humana um mero subproduto do verbo "olhar", e não do verbo "ver". Porquanto a mente humana tende a captar em sua razão apenas aquilo que seus cinco sentidos lhe apresentam, como se estes pudessem, de fato, captar toda a realidade criada. O resultado é a cegueira de que falava Jesus, ao descrever um cego para os fariseus (João 9,39-41) e apontar a Humanidade inteira como cega. São os recursos da fé, que a Filosofia não acata, e sem a qual mente alguma enxerga alguma coisa. É a amplitude de visão que a fé enseja que falta à maioria dos filósofos, os quais foram, infelizmente, criados ou seguidos pelos homens de Ciência (pelo menos até o advento da Física Quântica, diga-se de passagem).
Mas o pior está por vir: CS Lewis conseguiu, após longos séculos de Filosofia na História e após todas as pesquisas que fez estudando filósofos e teólogos, formular uma síntese didática, obviamente não-perfeita, mas ideal para diminuir a cegueira em Tellus. Foi um Sistema de Pensamento complexo e completo que venceu todos os raciocínios contrários, justamente por mostrar a incoerência de qualquer juízo humano sem a exatidão da mente de Cristo; porquanto a mesma mente que valoriza a idéia de que pode confiar no raciocínio pseudocientífico da inexistência de Deus, volta-se contra si mesma por não poder confiar na própria mente humana. I.e., se um cientista diz que não pode confiar no raciocínio de um homem que lhe apresentou provas apenas de raciocínio, "porque raciocínio de homem algum merece confiança", então seu próprio raciocínio lhe trai, pois ele também não merece confiança! É o chamado "suicídio do pensamento" quando se duvida de todo pensamento. É a velha ponte que liga o nada a lugar nenhum.
Fora disso, e pior, tudo o mais é apenas o "pensar em círculos", exatamente como CS Lewis mostrou que ocorria com "Weston", em Perelandra, após o domínio completo do grande cientista pela mente angélica de Lúcifer. Ou seja, com o domínio completo da atmosfera psíquica da Terra pelo inimigo de Deus, nenhum ser humano pode ter o raciocínio límpido e lúcido, exceto quando e "se" se entregar ao raciocínio de Deus, que envolve entrega total de corpo, alma e espírito. Nesta categoria estariam os filósofos da linha ateísta, cujo pensamento nada mais seria que uma inutilidade total e uma perda de tempo, sem falar na absurda queda aos abismos mentais dos maus espíritos.
Finalmente, é uma tristeza enorme constatar a adesão das multidões às correntes céticas e materialistas da História, sob a ilusão de estarem baseadas nos cérebros mais lúcidos dos filósofos e cientistas pós-modernos. A humanidade evoluiu da célula única ao multicelular em milhões de anos de evolução, e não merecia a Queda que lhe cegou para sempre, os sonhos mais lindos do conhecimento de Deus. Quando Deus providenciou o resgate do Homem, vindo Ele mesmo à Terra e entregando-lhe sua "Noiva" (a Igreja) para que a mente humana voltasse à sensatez, a grande maioria já tinha caminhado tanto tempo nas trevas que não conseguiram mais enxergar a luz. A esperança dos que creram em Deus se volta para os filósofos teístas e para os novos físicos (Michio Kaku, Brian Greene, Amit Goswami, etc.), pois a Caologia, a Fractologia e a Física dos Quanta estão se rendendo à mais sólida evidência do universo, a saber, aquEle que o criou.
Perseguição aos cristão nos seculos I e II da era cristã
1. INTRODUÇÃO
"Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minhaigreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" Mateus 16:18, Jesus diz que edificaria a sua Igreja e que as oposições "as portas do inferno" não seriam capazes de paralisá-la, o que realmente irá acontecer, o Cristianismo consegue em pouco mais de 250 anos emergir de um movimento marginalizado, para religião oficial do Império Romano, tal movimento tem seu início no dia de Pentecostes (Pentecostes uma das principais festa do calendário judaico é celebrado 50 dias depois do domingo de Páscoa) neste dia o apostolo Pedro toma a palavra e ousadamente anuncia o primeiro sermão cristão da história da igreja, tendo grande aceitação, porém o teor da mensagem, certamente traria problemas "Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo". Atos 2:36, claramente Pedro coloca sobe responsabilidade dos líderes judaicos a morte de Cristo, por isso, futuramente, será preso, mas o discurso de Gamaliel encontra eco entre o Sinédrio e após serem açoitados são libertos "Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que por um pouco levassem para fora os apóstolos; Atos 5:34 e noutra ocasião por meio de um milagre é liberto "E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias. Atos 12:7, esses episódios já revelação como será a relação entre Cristão e líderes Judaicos, além disso não serão apenas os Judeus, os Romanos também irão perseguir, aprisionar e "condená-los à pena capital"
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[1] Aluno do Curso de Pós Graduação- Especialização em Ciências da Religião - Lato – Sensu- Faculdade Vale do Cricaré.
2 Graduado em Teologia.
2 – VIDA DE CRISTO E FORMAÇÃO DA ECLÉSIA
O apostolo Paulo acreditava que o nascimento de Jesus Cristo aconteceu em momento oportuno, "Mas, vindo à plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gl. 4:4-5), segundo Orígenes citado por FOSTER (1961, p. 6) aquele momento de estabilidade política propiciava condições favoráveis a divulgação do evangelho:
O Mestre disse: "Ide e fazei discípulos de todas as nações." Ora, é certo que Jesus nasceu no reinado de Augusto (31 A.C.-14A.D.) o qual, por assim dizer, fundiu em um só império tantas populações do mundo. Se tivesse havido muitos reinos por toda parte, os homens estariam lutando guerreando cada um por sua terra natal, e isso teria impedido a disseminação da doutrina de Jesus por toda a terra.
Contudo, nem mesmo tais condições (geopolíticas) impediram que questões de ordem religiosa conduzissem Jesus ao martírio, os que estavam mais preparados para compreender sua mensagem tornaram-se seus mais ferrenhos opositores.
Após a crucificação e morte de Jesus, evento relatado nos quatro evangelhos (Mt. 27.45-56; Mc. 15.33-41; Jo 19.28-30), os seus seguidores são tomados por um forte sentimento de decepção, tudo parecia acabado, mas no primeiro dia da semana, após a crucificação Jesus aparece a Maria Madalena (Jo 20.14) e ao cair da tarde aos seus discípulos (Jo 20.19, nvi).
Nisso ela se voltou e viu Jesus ali, em pé, mas não o reconheceu. Disse ele: "Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando? " Pensando que fosse o jardineiro, ela disse: "Se o senhor o levou embora, diga-me onde o colocou, e eu o levarei". (Grifo meu) João 20:14-15
Com estas aparições Jesus provara ser o messias, ressuscitando vencera a morte, sendo agora capaz de conceder a vida que antes havia prometido (Jo 10.10 b, nvi), então ele os instrui durante quarenta dias que antecederam sua ascensão, orientando-os a permanecer em Jerusalém para recebem o Espírito Santo - "[...] Não saiam de Jerusalém, mas esperam pela promessa de meu pai, da qual lhes falei" (At. 1.4 b, nvi) - antes de atenderem a Grande Comissão (Mc 16.15).
Enfim, era dia de pentecostes, grande numero de Judeus estavam em Jerusalém - Muitos destes eram prosélitos e Judeus da diáspora, como também judeus palestinos, o que tornava o momento bem oportuno para a primeira proclamação publica do evangelho - enquanto isso cerca de 120 discípulos de Jesus estavam reunidos e perseveravam em oração (At. 1.14). "Todos ficaram cheios do espírito santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o espírito santo os capacitava. " (At. 2.4), dos que estavam ali uns ficaram maravilhados (2.13) outros zombavam (At. 2.13).
A tradição Rabínica acreditava que o dia de pentecostes além de ser uma festa de ação de Graças marcava também o dia em que Deus entregou a lei a Moisés (RICHARDS, 2008, p. 253) e assim como o profeta Isaias declara que: "E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor" (Is.2.3) temos assim o cumprimento da promessa.
Pedro, então toma a palavra e ousadamente anuncia o primeiro sermão cristão da historia da igreja, demonstrando que o que ali estava acontecendo nada mais era do que o cumprimento da promessa Divina, tanto do derramamento do Espírito, "nos últimos dias", sobre todos os povos (Jl. 2.28-32) quanto sobre a glorificação do Messias (Sl. 110.1).
Shelley descreve: "O Messias, uma vez crucificado, foi exaltado sobre toda criação. Sem esse Milagre, disseram os apóstolos, não existe evangelho, nem salvação, nem igreja. " (2008, p. 18), Cerca de três mil homens atendem a mensagem, notório é o fato de o texto dizer que houve um acréscimo, mas, onde? Na igreja – ekklesia -, aqui tem o inicio da igreja cristã, aquela que Jesus dissera que edificaria (Mt. 16.18), mesmo que os que dela faziam parte ainda assim não entendiam seu cumprimento (percebemos isso em At. 3, quando os discípulos estão indo ao templo fazerem suas orações, muito da verdade é que os primeiros cristãos conhecidos como "os do caminho" eram tidos como uma seita dentro do judaísmo).
O centro de suas atividades nos primeiros anos era Jerusalém, "As sedes gerais daquela época eram o cenáculo, no monte Sião, e o pórtico de Salomão, no Templo. " (HURLBUT, 2007, p. 22) "E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. "(Lc. 24.47).
A comunidade ali localizada a principio era constituída por judeus da palestina (hebreus) e judeus helenistas (desdentes da disperção) e proselitos (renunciantes do paganismo e convertidos ao judaismo), e dos helenistas são escolhidos sete homens com a função de supervisionar a distribuição de alimentos, o lider deles era Estevão, porém, morre como mártir, devido as criticas feitas contra o templo (At. 7), Estevão parece ser o primeiro a compreender que o Cristianismo não era "O cumprimento do Judaísmo" (LADD, 2004, 500), em seguida Pedro também toma contato com gentios e estes também são cheios do espírito e ao que tudo indica ocorre ali o fenômeno da glossolalia (At.10.44), Paulo (logo abaixo falaremos mais sobre ele) desde sua primeira viajem missionária observa como os gentios mais do que os Judeus abraçam a nova fé, como declara Ladd: "ele recebia, quase que invariavelmente, oposição por parte dos lideres judeus e pela maioria da sinagoga, porém encontrava um recepção calorosa pelos gentios que cultuavam nas sinagogas" ( 2004, p. 501). Essa receptividade por parte dos gentios não era bem vista por todos, havia os que o apostolo Paulo chamada "os da parte de Tiago" (Gl. 2.12) que acreditavam que para se tornar um cristão antes um gentio deveria iniciar-se no Judaísmo, tal problemática ficou conhecida como "controvérsia judaizante" somente no concilio de Jerusalém no 50 d. C com os testemunhos de Pedro, Paulo e a compreensão que Tiago tem dos acontecimentos, interpretando a profecia bíblia de Amos 9.11,12 a problemática é teoricamente resolvida. Tudo isso já demonstrava uma separação entre Judaísmo e Cristianismo, que tem na queda de Jerusalém no ano 70 d. C o marco definitivo, quando Tito invade Jerusalém, sob ordens de seu pai o então Imperador Vespasiano.
Os judeus, no ano setenta, cerca de quarenta anos depois da paixão de Cristo, foram destruídos por Tito e por seu pai Vespasiano (que sucedeu Nero no império) num total de um milhão e cem mil, sem contar aqueles que Vespasiano matou ao subjugar a região da Galileia. Dezessete mil foram vendidos e enviados para o Egito e outras províncias como vis escravos; dois mil Tito trouxe consigo para a celebração do seu triunfo. Destes, muitos ele entregou para que fossem devorados por animais selvagens, os restantes foram assassinados de outras formas cruéis ao extremo (FOXE, 2003).
3. PRIMEIRAS OPOSIÇÕES E INICIO DAS PERSEGUIÇÕES
Anos antes surge Saulo de Tarso, este que fora relevante no que se refere à perseguição contra os cristãos, tornar-se-ia ainda mais na propagação do kerigma. As primeiras oposições contra os cristãos advêm dos judeus, o vinho novo e o odre velho estavam em conflito, como relata o texto bíblico (At. 4; At. 5.17; At. 8):
Enquanto Pedro e João falavam ao povo, chegaram os sacerdotes, o capitão da guarda do templo e os saduceus. Eles estavam muito perturbados porque os apóstolos estavam ensinando o povo e proclamando em Jesus a ressurreição dos mortos. Agarraram Pedro e João e, como já estava anoitecendo, os colocaram na prisão até o dia seguinte. Atos 4:1-3
Vale ressaltar que os saduceus não criam na ressureição dos mortos "E, chegando-se alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, perguntaram-lhe" (Lc. 20:27).
A partir de 58 d. C com Nero tem inicio as perseguições por parte do império romano, conhecido pela crueldade com que tratou os Cristãos e por ter acusado-os pelo incêndio que destruiu boa parte da cidade Roma o historiador romano Tácito (56 d.C. – 117 d.C.) registra em seus anais o trato de Nero para com os Cristão, sendo ele o principal suspeito do incêndio "Nero, para desviar as suspeitas, procurou culpados, e castigou com as mais terríveis penas a certo grupo, já odiado por suas abominações, que o vulgo chamava cristãos" (Tácito. Anais XV. 44,3). Tácito, citado por Silva, fala-nos ainda com mais detalhes como padeceram os acusados.
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"O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriam com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem de archotes e tochas ao público". (Tácito. Anais XV. 44,7):
E sobe este mesmo imperador, são martirizados tanto o apostolo Pedro quanto o apostolo Paulo. O termino desta primeira perseguição e sobe o imperador Vespasiano.
A primeira das dez perseguições foi desencadeada por Nero por volta do ano 64 do Senhor. A tirânica fúria desse imperador foi cruel contra os cristãos, "a ponto de — conforme registra Eusébio — encher cidades de cadáveres humanos, mostrando velhos jazendo ao lado de jovens e corpos de mulheres abandonados nus no meio da rua sem respeito algum por seu sexo. " Muitos houveram entre os cristãos daqueles dias que, vendo as obscenas abominações e a intolerável crueldade de Nero, julgaram que ele era o anticristo. (FOXE, 2003)
Eusébio de Cesareia conhecido como o pai da história da igreja no seu livro História Eclesiástica faz referência a Nero de maneira crítica e pondera sobre seu comportamento brutal que não considerou nem mesmo seus familiares
Já que, sendo muitos os que transmitiram em relatos precisos suas maldades, quem queira poderá aprender destes sobre a grosseira demência deste homem estranho que, levado por ela e sem a menor reflexão, produziu a morte de inúmeras pessoas e a tal ponto levou seu afã homicida que não se deteve nem mesmo ante os mais chegados e queridos, mas que até a sua mãe, seus irmãos, sua esposa e com eles muitos familiares, fez perecer com variadas formas de morte, como se fossem adversários e inimigos. (História Eclesiástica II. XXV, 2)
Domiciano por volta do ano 90 D. c, irmão de Tito continua as perseguições, orgulhoso institui a adoração de sua pessoa, como deus, o apostolo João e por Domiciano exilado na Ilha de Patmos sendo posto em liberdade depois da morte de dele. "Dion Cássio afirma que Domiciano mandou matar aqueles "qui in mores Judeorum transierant" (livro -T). Isto e, aqueles que se tornaram cristãos [...]" (A.J. O'Reilly, 2005)A. Knight e W. Anglin falam também sobre início da perseguição "Contudo durante esse tempo Domiciano (que podia quase levar a palma a Nero, quanto à intolerância e crueldade) subiu ao trono; e depois de quatorze anos do seu reinado, rebentou a perseguição geral (1983, p. 9) "Cerca do ano 90, o cruel e indigno imperador Domiciano iniciou a segunda perseguição imperial aos cristãos. Durante esses dias, milhares de cristãos foram mortos, especialmente em Roma e em toda a Itália. (Hurlbut, 2002). Eusébio fala como procedeu Domiciano tanto a respeito dos Romanos como aos Cristãos:
Domiciano deu provas de uma grande crueldade para com muitos, dando morte sem julgamento razoável a não pequeno número de patrícios e de homens ilustres, e castigando com o desterro fora das fronteiras e confisco de bens a outras inúmeras personalidades sem causa alguma. Terminou por constituir a si mesmo sucessor de Nero na animosidade e guerra contra Deus. Efetivamente ele foi o segundo a promover a perseguição contra nós, apesar de que seu pai Vespasiano nada de mal planejou contra nós. . (História Eclesiástica III. XVII, 1)
Toda sorte de maldades eram validas na busca de eliminar estes homens e mulheres, a incompreensão por parte dos romanos, e as acusações do populacho só faziam aumentar a desconfiança imperial contra os servos do Cristo, até de ateísmo estes foram acusados, sua fé subjetiva e desvinculada a imagens e estatuas, diferiam dos templos pagãos, e toda desgraça que sobrevinha, seja, fome, peste, tempestade etc. Culpa era daqueles que não se dobravam em adoração aos deuses ou seja acontecia a quebra da pax deorum "paz dos deus" . Silva citando CROIX reforça o argumento:
[...] as perseguições aos cristãos se baseavam na recusa deste grupo em reconhecer os deuses de Roma, o que era visto como um comportamento perigoso e sedicioso. Afinal, os deuses tradicionais do panteão greco-romano eram as divindades principais da religião pública de Roma, que se não fossem cultuadas, mesmo que por apenas uma parcela da população, poderiam se enraivecer devido à quebra da pax deorum, a "paz dos deuses" (Ste. CROIX, 1963: 24).
Quando começa a terceira onda de perseguição Trajano é o imperador, deste período e bem conhecida a Carta de Plínio II ao imperador onde relata como eram mortos e as mazelas que sofriam os Cristãos.
Entretanto, eis o procedimento que adotei nos casos que me foram submetidos sob acusação de cristianismo. Aos incriminados pergunto se são cristãos. Na afirmativa, repito a pergunta segunda e terceira vez, ameaçando condená-los à pena capital. Se persistirem, condeno-os à morte. Não duvido que, seja qual for o crime que confessem, sua pertinácia e obstinação inflexíveis devem ser punidas. Alguns apresentam indícios de loucura; tratando-se de cidadãos romanos, separo-os para enviá-los a Roma. [...] Em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo, como a um deus; obrigavam-se por juramento não a algum crime, mas à abstenção de roubos, rapinas, adultérios, perjúrios e sonegação de depósitos reclamados pelos donos. Concluído este rito, costumavam distribuir e comer seu alimento. Este, aliás, era um alimento comum e inofensivo.
Outro perseguidor o imperador Marco Aurélio (161 a 180 d. C) filho de Antonino Pio, trata com rigidez a causa cristã, aqueles que professassem fé no Cristo sofria duramente, há relatos que Marco Aurélio mandava "decapitar e lançar as feras", vale ressaltar o martírio de Policarpo de Esmirna. Nesta perseguição padeceram os conhecidos mártires de Lyon e Vienne (FOXE, 2003, p. 31)
Desde o reinado de Trajano ao de Antonino Pio (98-161), o Cristianismo não era reconhecido, mas também não foi perseguido de modo severo. Sob o governo dos quatro imperadores Nerva, Trajano, Adriano e Antonino Pio (os quais, com Marco Aurélio, foram conhecidos como os "cinco bons imperadores"), nenhum cristão podia ser preso sem culpa definida e comprovada. O espírito da época inclinava-se a ignorar a religião cristã. Contudo, quando se formulavam acusações e os cristãos se recusavam a retratar-se, os governantes eram obrigados, contra a própria vontade, a pôr em vigor a lei e ordenar a execução.(HURLBUT, 2007, p. 62)
É notório que durante os dois primeiros séculos da era cristã as perseguições ocorriam de forma isoladas e em curtos períodos, não havia uma política Imperial concernente a perseguição Cristã, a questão política ganha força a partir do século III com a estruturação culto ao Imperador, o que demonstrava lealdade ao império, o cristão agora tem que decidir quem deveria ser o seu senhor.
Obviamente estes não queimam incenso a Cesar, nem lhe oferecem culto, não o bastante estes já estavam sob observação, devido a forma como se reunião (nas catacumbas) o que gerava certa desconfiança, e diferente dos Judeus grupo com o qual se identificavam nos primeiros anos ( chegando a ser considerados apenas uma seita dentro do judaísmo) os cristãos participavam de uma religião de conversão, o que realizavam com grande sucesso, logo, temos uma formação de um cenário desfavorável a igreja do Cristo; claramente diziam já possuir um Rei (Jesus), pertencerem a um Reino ( O corpo de Cristo), defenderem a idéia da igualdade entre os homens, idéia contraria à mentalidade pagã que possui um visão aristocrática, ou seja, sua presença e vivencia segundo o populacho quebravam a pax deorum, e sua cosmo visão quebravam pax Romana fazendo deste grupo religioso um religio ilícita.
Nos aproximadamente 250 anos que separam a perseguição posta em prática pelo imperador Nero (54-68), no ano 64, e o "Edito de Galério", do ano 311, o Cristianismo era considerado uma religião ilícita e suspeita, cujos membros estavam sujeitos ao aprisionamento, à condenação e à pena capital. (SILVA)
Como já foi dito os primeiros focos de perseguição vieram por parte dos Judeus, os que eram tidos em baixa estima começaram a incomodar "homens sem letras e indoutos" Atos 4:13, havia as expectativas judaicas sobre a vinda de um messias, de fato variadas, dentre essas havia a perspectiva de um Messias Libertador-Restaurador que restabelecesse o trono de Davi e Libertasse o povo do Império Romano e nesta perspectiva que Jesus como Messias torna-se um obstáculo na propagação do Evangelho do lado Judaico, uma vez que, seus seguidores afirmavam ser ele Senhor ou seja o Cristo (palavra grega para Messias), o que causava grande escândalo do lado Judaico, ele foi um carpinteiro, iniciou seu ministério pela galileia – território estigmatizado pelo judaísmo – "Terra de pessoas impuras e pecadoras é a terra onde Jesus começa seu ministério messiânico, pois, afinal de contas, ele não veio para chamar justos, mas pecadores (Mc 2,17)" (Zabatiero, 2013), um Rabino não ordena que por vezes entrava em conflito com o sacerdócio oficial, que afirma que seu Reino não era deste mundo, e por fim morre como um maldito "não deixem o corpo no madeiro durante a noite. Enterrem-no naquele mesmo dia, porque qualquer que for pendurado num madeiro está debaixo da maldição de Deus. Não contaminem a terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá por herança" Deuteronômio 21:23.
Além disso, afirmavam no só que Jesus era o Messias, Diziam ser Jesus, Senhor (Kyrios) que na septuaginta é traduzido do termo hebraico Adonai, assim afirmavam jesus ser o próprio Deus.
Não o bastante, a eclesiologia cristã descentralizava a experiência religiosa do templo, agora pensem no que representava o templo para os Judeus, era o centro da vida religiosa, onde eram oferecidos os sacrifícios e o povo alcançava graça e purificação ante Javé, havia ali o Santos dos santos lugar da presença viva de seu Deus (Javé), agora homens com Estevão afirmam que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas "Todavia, o Altíssimo não habita em casas feitas por homens. Como diz o profeta" Atos 7:48, Paulo a frente fará a mesma afirmação "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas" Atos 17:24. Assim o templo era pequeno demais para ser morada de Deus. Afinal é ele o Aquele que enche céu e terra "Poderá alguém esconder-se sem que eu o veja? ", pergunta o Senhor. "Não sou eu aquele que enche os céus e a terra? ", pergunta o Senhor" Jeremias 23:24. (GREEN, 1984).
4. RELIGIO X SUPERSTITIO
Havia entre os Romanos a distinção entre Religio e Superstitio, Religio seria a "religião oficial romana; era o vínculo formal entre as pessoas e os deuses" como afirma Michael Green, Religio seria uma crença mais ampla de cunho nacional, sendo vistas como emotivas, que ofereciam perspectivas para os menos favorecidos cujas necessidades não eram satisfeitas "pela dialética do Filósofos" o culto a Cibele a grande mãe da Ásia Menor, Dionísio da Grécia são exemplos de Superstitio e nesta categoria enquadrava-se o Judaísmo e o Cristianismo, a religião pagã oficial era muito mais ritualística e sincrética, muitos descriam no pacto com os deus mas acreditavam haver a necessidade da manutenção da adoração aos deus que eram os fornecedores da proteção estatal enquanto ao monarca caberia a responsabilidade pelos sacrifícios e adoração, parece incoerente a manutenção de um acordo do qual não se há uma genuína crença, porém não era para o para o mundo antigo.
As superstitiones não eram proibidas por Roma desde que não fossem ou produzissem comportamento criminoso e antissocial, Tibério chegou a decretar a prática de magia negra como crime, logo com a perseguição desencadeada por Nero em 64 d. c, na qual os cristãos foram acusados de incendiários, criminosos e antissociais, fazer parte da "Superstitio cristã" era estar ariscando a própria vida e como diz Green seria "namorar o martírio".
Além dos fatores citados acima pesavam contra os cristãos acusações variadas a primeira delas era a de ateísmo, os cristãos eram tidos como ateus, sim, pode parecer estranho ao um ocidental atual, mas neste contexto sociocultural adorar a uma divindade, logo o associava a um templo, uma imagem, um ritual, porém os cristãos, têm uma fé subjetiva, assim como os judeus eram tidos como ateus por não prestarem culto aos deuses oficiais e por seu Deus não possuir nenhuma representação material, isso gerava sérios problemas, pois o cristianismo como uma Superstitio de conversão traria graves problemas a estabilidade do império, imaginem se gente de todo o império passasse a negar os deus , publicamente, os provedores da estabilidade o caos se estabeleceria, haveria a quebra da pax deorum (paz dos deuses). Incesto outra acusação que pesava contra cristãos o populacho dizia que os seguidores de Jesus chamavam-se de irmãos, contudo casavam-se entre si, o nome dado ao culto cristão "reunião ágape" reunião do amor também era motivos para desconfianças, além desses fatores há ainda acusações de canibalismo, isto mesmo, nas reuniões do ágape, comia-se a carne e bebia-se o sangue, assim seriam as ceias cristãs.
A carta a Diogneto (120 d. C.) um dos primeiros documentos que fala a respeito da vivência da comuna primitiva é uma resposta a um de um cristão anônimo a um pagão culto, desejoso por conhecer melhor a nova fé cristão. Segue trecho abaixo, com grifo nos tópicos relevantes às perseguições sofridas por esses homens e mulheres seguidores do Cristo:
1. Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular.
2. Nem uma doutrina desta natureza deve a sua descoberta à invenção ou conjectura de homens de espírito irrequieto, nem defendem, como alguns, uma doutrina humana.
3. Habitando cidades Gregas e Bárbaras, conforme coube em sorte a cada um, e seguindo os usos e costumes das regiões, no vestuário, no regime alimentar e no resto da vida, revelam unanimemente uma maravilhosa e paradoxal constituição no seu regime de vida político-social.
4. Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos: participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira.
5. Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os recém-nascidos. Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito.
6. Encontram-se na carne, mas não vivem segundo a carne.
7.Moram na terra e são regidos pelo céu.
8.Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas.
9. Amam todos e por todos são perseguidos.
10.Não são reconhecidos, mas são condenados à morte;
11. são condenados à morte e ganham a vida.
12. São pobres, mas enriquecem muita gente;
13.de tudo carecem, mas em tudo abundam.
14.São desonrados, e nas desonras são glorificados;
15.injuriados, são também justificados.
16.Insultados, bendizem;
17.ultrajados, prestam as devidas honras.
18. Fazendo o bem, são punidos como maus; fustigados, alegram-se, como se recebessem a vida.
19. São hostilizados pelos Judeus como estrangeiros; são perseguidos pelos Gregos, e os que os odeiam não sabem dizer a causa do ódio.
20. Numa palavra, o que a alma é no corpo, isso são os cristãos no mundo.
21. A alma está em todos os membros do corpo e os cristãos em todas as cidades do mundo.
22. A alma habita no corpo, não é, contudo, do corpo; também os cristãos, se habitam no mundo, não são do mundo.
23. A alma invisível vela no corpo visível; Também os cristãos sabe-se que estão neste mundo, mas a sua religião permanece invisível.
24. A carne odeia a alma, e, apesar de não a ter ofendido em nada, faz-lhe guerra, só porque se lhe opõe a que se entregue aos prazeres
25. da mesma forma, o mundo odeia os cristãos que não lhe fazem nenhum mal, porque se opõem aos seus prazeres.
26. A alma ama a carne, que a odeia, e os seus membros; Também os cristãos amam os que os odeiam.
27. A alma está encerrada no corpo, é todavia ela que sustém o corpo;
28. Também os cristãos se encontram retidos no mundo como em cárcere, mas são eles que sustêm o mundo.
29. A alma imortal habita numa tenda mortal; Também os cristãos habitam em tendas mortais, esperando a incorrupção nos céus.
30. Provada pela fome e pela sede, a alma vai-se melhorando; também os cristãos, fustigados dia-a-dia, mais se vão multiplicando. Deus pô-los numa tal situação, que lhes não é permitido evadir-se.
É neste contexto que desenvolve-se o Cristianismo, inicia-se na palestina, desenvolve-se, foi perseguido, porém manteve-se vivo, como se diz na celebre frase de Tertuliano "O sangue dos mártires é a semente da Igreja" houveram fatores que favoreceram como salienta Paulo ao dizer que Jesus nasceu "à plenitude dos tempos" (Gl. 4:4-5) numa conjuntura Geopolítica que favorece a propagação do Querygma, contundo muitos outros foram contrários, desde os próprios divulgadores "homens sem letras e indoutos" Atos 4:13, o tema da mensagem (Jesus), sua cosmo visão (igualitária, contrária à pagã), acusações do populacho (canibalismo, incesto, imoralidades, nas reuniões do Ágape) etc. Desde Nero (54 a 68 d. C.) quando os Cristão são acusados pelo incêndio que destrói boa parte de Roma até o Imperador Diocleciano (305 a 310), que promoveu a mais dura e sistemática perseguição contra os cristão, mandando inclusive por meio de um Edito que todos os exemplares da Bíblia fossem queimados, os cristãos passaram por várias dificuldades, mas com o Edito de Galério em 311 o Cristianismo passa a ser tolerado, dois anos depois em 313 Constantino através do Edito de Milão oficializa o Cristianismo "Por essa lei o Cristianismo foi oficializado, sua adoração tornou-se legal e cessou a perseguição, para não mais voltar, enquanto durou o Império Romano." Finalmente, no ano 380 d.C. o Cristianismo torna-se a religião oficial do Império Romano, em pouco mais de três séculos o "obscuro e marginal movimento de Jesus" como afirma Stark sai de seita dentro do Judaísmo a Religião oficial de todo império Romano e a maior religião do planeta atualmente com mais de bilhões de seguidores em todo mundo.
REFERENCIAS
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SHELLEY, Bruce L. História do Cristianismo – Ao alcance de todos, São Paulo, Shedd Publicações, 2004.
Hurlbut, Jesse Lyman, História da Igreja Cristã, 14ª impressão, São Paulo, Ed. Vida, 2002.
LADD, G. Eldon, Teologia do Novo Testamento, Edição Revisada, São Paulo, Ed. Hagnus, 2003.
F O X E, John, O livro dos Mártires, São Paulo: Mundo Cristão, 2003.
DA SILVA, Diogo Pereira, As perseguições aos cristãos no império romano (séc. I-IV): dois modelos de apreensão.
Eusébio De Cesaréia, HISTÓRIA ECLESIÁSTICA, São Paulo, Novo Século,
2002.
A.J. O'Reilly, Os Mártires do Coliseu O Sofrimento dos Cristãos no Grande Anfiteatro Romano 3ª impressão, Rio de Janeiro, CPAD, 2005.
A. Knight. W. Anglin, História Do Cristianismo - Dos apóstolos do Senhor Jesus ao século XX, 2ª ed. - Rio de Janeiro, 1983.
ZABATIERO, Júlio Paulo Tavares. Temas Teológicos Na Literatura Sinótica, Faculdade Unida, Vitória – ES. 2014.
GREEN, Michael, Evangelização Na Igreja Primitiva, São Paulo, Ed. Vida Nova, 1984.
PAIVA, Geraldo José de, Religião, enfrentamento e cura: perspectivas psicológicas, Estudos de Psicologia, Campinas, p. 99-104, janeiro - março 2007.
FOSTER, James Richard. Começando de Jerusalém: a expansão cristã através de dezessete séculos. Tradução de: Moysés Martins de Aguiar. São Paulo: Imprensa Metodista, 1961.
http:www.bibliaonline.com.br, Acesso em 17 de Junho de 2014. (Todas as citações bíblicas foram retidas deste site)
Corações Fechados e Ouvidos Tapados
Por que será que muitas pessoas que entram e sentam em um banco de uma Igreja, não são mais tocadas e nem deixam Deus falar com elas? Quem sabe: elas estão com o coração fechados e ouvidos tapados, ao ponto, de sentirem coceiras em seus ouvidos, e nem querem ouvir a verdade sobre o pecado, que se tornou tão comum dentro de nossas Igrejas.
Eu vejo a Igreja desta geração com um grande esfriamento, e muitas pessoas desencorajadas a irem orar e pedir renovo em suas vidas, seus ouvidos estão tão ocupados com as circunstancia e adversidades desta vida, que não compreendem quando Deus ta falando. Nada contra as novelas e sites de relacionamentos, mas isso tem ocupado muitas pessoas, e elas não tem tempo de abrir seus ouvidos e corações para a vós de Deus.
Estamos vivendo um tempo, que uma parte da Igreja, esta com os corações fechados e ouvidos tapados. Como será que podemos mudar esta história? No livro de Apocalipse 2:4 nos alerta sobre uma Igreja na Cidade de Éfeso, que era perseverante, e suportou provas grandes por causa do nome de Jesus, mas devido o tempo, foi esfriando em seu primeiro amor, e quando isso acontece: nos tornamos distantes de Deus, amando mais as obas da carne, e começamos a perder o foca da Vida Eterna. Apocalipse 2:5 adverte a Igreja de Éfeso: que ela se lembre de onde caiu, e se arrependa, e volte a prática das primeiras obras.
Se você faz parte e é membro de alguma Igreja, e deixou o teu primeiro amor, e as praticas das primeiras obras, arrependa-te, abra teu ouvido e teu coração, não seja como muitas pessoas, que só vão a Igreja para teclar em seu celular, em vez de folhear as paginas da Bíblia e prestar atenção na mensagem de Deus.
A ilação apócrifa da letra morta nos textos
A jumenta falou. O mar Vermelho se abriu em dois. Acalmou a tempestade. Caminhou sobre as águas, e inúmeras outras citações plenas de fantasia para significar um sentido figurado tão pouco buscado pelos leitores dos textos, que admitem a aceitação ilusória de um entendimento ao pé da letra, ao invés daquele sentido que transmite uma ideia comparativa, completa em lógica, plena de realidade visto que esclarece o figurativo, que se denomina Letra Viva.
A humanidade em todas as épocas mostrou uma idolatria por fábulas e apólogos tão intensa que beira a loucura e a estupidez, o imaginário carece de ser alimentado com grandes porções, e as religiões se incumbem disto com uma naturalidade que não impõe limites aos seus dirigentes e doutrinários líderes.
Brotam como erva daninha escritores religiosos que alimentam esta fogueira que aquece o fanatismo e o "nonsense" naqueles que idolatram o impossível como forma de atribuir "poder" aos fantasmas concebidos em sua fértil imaginação, para que desta forma, os "seres imaginários" moldados de acordo com suas "crenças", sejam repletos de poder para realizarem "o impossível", o inexplicável, sendo desta forma um "socorro presente", evidentemente também gerado pela imaginação, que conforme está comprovado cientificamente, é a única realizadora de "milagres".
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Estamos vivendo um período de globalização de informações, onde toda criança, usando a internet, percebe rapidamente o quanto as religiões propagam as trevas, de maneira que, usando máscaras convincentes, iludem as massas e os despreparados para o conhecimento, atraindo-os como mel para as moscas , ou usando um exemplo mais real, "a luz da lâmpada" que atrai e mata as mariposas, que por desconhecerem o perigo, não resistem ao seu encanto.
Todavia, é impossível negar, que por detrás dos textos uma inteligência maior se apresentou, elaborou-os e inspirou mentes humanas, que em períodos e povos diferentes, gravassem, esculpissem, escrevessem aquilo que lhes era passado em sonhos, visões e inspirações de diversas maneiras.
Não creio que os mesmos não entendessem o real e verdadeiro significado daquilo que pretendiam transmitir, e deixaram desta maneira, as fantasias para gerações vindouras, que as cultivaram abundantemente via letra morta, sem ao menos desejar saber se "a fantasia que entendiam de imediato", era possível, o que os levava a fechar os olhos para buscarem aquilo que estava oculto, todavia estava ali, vivo, latente, um conhecimento real, uma mensagem real, um sentido real, que era oposto ao fanatismo, uma "Letra Viva" que se expressava opostamente ao desvario gerado pelas trevas da letra morta, alicerce básico dos fanatismos oriundos das religiões.
A jumenta, símbolo usado para expressar o significado de uma alma dentro da matéria, o mar das encarnações ou dos desejos sendo separados para dar passagem àquelas almas que estavam saindo do encarne da escravidão da egípcia vida na matéria que se escravizou em vícios ou seja lá o que fosse, uma alma plena de luz e lógica, simbolizada como uma alma mestre que se manifestou em uma mente de um humano, e acalmou com sabedoria "as tempestades" das suas águas transmigratórias de seu mar da vida, alma poderosa devido ao seu senso, sua razão, e bem por isto, caminha acima das águas das matérias humanas, ou seja, a razão acima das fraquezas do corpo dos desejos, e assim sucessivamente, a Letra Viva, a fala sem Voz, revela o significado do "explicável" pelo uso da "palavra perdida" ainda tão pouco buscada.
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Diversidade das manifestações religiosas.